quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Em busca da cerveja perfeita

Recomendo: matéria muito interessante do Zero Hora/POA - 21/08/2013

Nova legislação, aprovada na terça-feira pelo Ministério da Agricultura, permitirá o uso de diferentes ingredientes para a produção de cerveja nacionais
Em busca da cerveja perfeita Anderson fetter/Agencia RBS
Bruna Scirea e Carlos Guilherme Ferreira
A nova regulamentação para a produção de cervejas aprovada na terça-feira será um divisor de águas para a indústria nacional. Dentro de pouco tempo, as cervejarias nacionais poderão usar matérias-primas variadas na fabricação da bebida mais querida dos brasileiros. Atualmente, as empresas do setor são impedidas de ousar em fórmulas que não se encaixem na receita tradicional da loira gelada, celebrizada pelos germânicos e adotada como padrão de qualidade e paladar no país. Mas, com a medida aprovada na terça-feira, é possível que, já a partir de 2015, a indústria esteja liberada para ousar em suas combinações. Tim-tim!
Sabe a tal da Lei de Pureza da Cerveja, uma norma alemã criada há cinco séculos e conhecida pelos íntimos como Reinheitsgebot? Esqueça-a. Para a felicidade geral dos paladares brasileiros, o Ministério da Agricultura aprovou na terça-feira uma instrução normativa que reduz as amarras na fabricação das brejas.
Vencidos os trâmites legais – o que inclui uma discussão com os hermanos do Mercosul –, será possível encher taças e canecos com cervejas produzidas a partir de ingredientes como frutas, especiarias, mel e leite. E encontrar alternativas ao modelo germânico, simbolizado pelo trio água pura, malte e lúpulo.
Na mesa de bar, isso irá significar que, em pouco tempo, será possível pedir cervejas de chocolate, laranja ou cravo e canela, por exemplo, e ouvir do garçom um animado “sim” . Basta haver voluntários, a partir de 2015 – expectativa do governo para a normativa vigorar –, dispostos a produzi-las.

E não falta gente assim. Segundo Marcelo Carneiro da Rocha, dono da Colorado, de Ribeirão Preto, existem mais de 200 microcervejarias no país. Com produção inferior a 500 mil litros por mês, elas são responsáveis, segundo Rocha, por uma fatia de mercado inferior a 1%. Mesmo assim, valiosa.
As artesanais têm alto valor agregado e são encontradas nas gôndolas a preços na casa de R$ 5 por uma long neck (355 mililitros) e de R$ 12 por uma garrafa (600 mililitros), como a família da Colorado. Será esta a principal faixa agraciada com a alteração na lei.
– É um divisor de águas. Tínhamos uma legislação muito engessada dentro do modelo germânico. E a história da cerveja não se limita à Alemanha – diz Rocha.
Com regras menos sisudas – mas atentas à qualidade, claro –, os cervejeiros poderão investir em diversidade. Ou, em bom português, poderão desenvolver sabores mais apurados e sofisticados.
É nisso que acredita o presidente da Associação Gaúcha das Microcervejarias (AGM), Micael Eckert, sócio da cervejaria Coruja. Segundo ele, cervejas assim já são tradicionais em outros países e, inclusive, aparecem em nossos supermercados – mas porque é permitido importá-las, e não porque sejam produzidas no Brasil.
– Belgas e americanos fazem muitas inserções de outros produtos, ao contrário dos alemães – explica.
O que muda com normativa é a maneira de os cervejeiros brasileiros investirem em produtos alternativos. Até a nova lei valer, eles não podem fermentar ingredientes que fujam aos tradicionais. Vez por outra isso acontece e, acredite, passa pela diligente fiscalização do governo. Um produtor criou uma cerveja com mel, “que é como se faz”, ele sublinha. Registrado pelo Ministério da Agricultura, o produto acabou “descoberto” tempos depois. Os agentes propuseram uma solução:
– Vamos deixar você continuar, mas vai adicionar o mel com a cerveja pronta – disseram.
A cerveja de mel perdeu parte do charme, até no batismo. Para efeito legal, virou uma burocrática “bebida mista de cerveja com mel”. Mas segue à venda, arrebatando adeptos.
Tanto Eckert quanto Rocha são unânimes em apostar na expansão do mercado, empurrado por consumidores dispostos a pagar mais por um produto melhor. Parêntese oportuno: das cervejas mais elaboradas às comuns, o Brasil engarrafou 13,7 bilhões de litros em 2012.
– Quem começa a tomar cerveja artesanal não volta atrás. Aguça a curiosidade – garante Rocha.
Estes repórteres, por experiência própria, concordam. E só não brindam porque, enquanto escrevem esta reportagem, estão em horário de trabalho.
Um segmento estimulado pela curiosidade do paladar
A cerveja proibida. A cerveja que não acontece. A cerveja amaldiçoada. Foram muitos os rótulos que a cerveja da marca Dado Bier, feita em parceria com fabricante de chocolates Kopenhagen, recebeu antes mesmo de poder ser comercializada. Após cinco anos de produção, o leite em pó presente no chocolate fez com que 10 mil litros da Dado Bier Double Chocolate Stout, já engarrafados, tivessem de ser submetidos à garganta do ralo.
Com base na lei, o produto foi refeito com 70% de cacau, sem leite. Lançadas neste mês, as primeiras 8 mil garrafas foram vendidas na semana que antecedeu o Dia dos Pais. O produto virou case de sucesso de ambas as marcas, mas, para o empresário Eduardo Bier Corrêa, o Dado, a lenda continua.
– Quantos litros teríamos vendido se a produção fosse maior? É para ver que, depois de tantos percalços, a cerveja ainda está cheia de mistérios – brinca o empreendedor.
A certeza entre os microcervejeiros e os sommeliers é a de que as cervejas artesanais vêm ganhando espaço nas prateleiras de supermercados. Não se pode desprezar a maior divulgação, mas grande parte do salto na preferência dos consumidores deve-se a algo muito mais subjetivo: a curiosidade de sentir novos sabores.
– As novas microcervejarias no país têm facilidade de entrar no mercado justamente porque personalizam seus produtos. Rapadura, aipim e frutas típicas brasileiras, por exemplo, são ingredientes que conquistam o público – explica o sommelier Marcelo Scavone.
Zero Hora submeteu quatro cervejas ao paladar de Scavone, do sommelier Rodrigo Tomasel e também ao gosto de um júri nem tão experiente assim. As cervejas que levam mel, café e frutas vermelhas foram aprovadas e aplaudidas por unanimidade.
A nota curiosa coube a um exemplar produzido a partir de erva-mate. Sem saber que este era o ingrediente, o júri de gaúchos torceu o nariz e colocou a cerveja de chimarrão na rabeira da lista. Só não desprezaram a máxima de todos os apaixonados por cervejas artesanais:
– Beba menos, beba melhor.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Qual é o estilo da minha cerveja

Estou fazendo minha cerveja e na hora de medir a densidade do mosto vem a dúvida: qual é o estilo da minha cerveja? Ale ou Lager?

Abaixo uma tabela periódica de estilos de cerveja com classificação baseada em densidade, cor, quantidade de álcool, etc, bem curiosa:


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A história da cerveja




A cerveja (do gaulês, através do latim servisia ) é uma bebida produzida a partir da fermentação de cereais, principalmente a cevada maltada. Acredita-se que tenha sido uma das primeiras bebidas alcoólicas que foram criadas pelo ser humano. Atualmente, é a terceira bebida mais popular do mundo, logo depois da água e do chá. É a bebida alcoólica mais consumida no mundo atualmente.
Historicamente, a cerveja já era conhecida pelos antigos sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos, remontando, pelo menos, a 6000 a.C.8 A agricultura surgiu na Mesopotâmia em um período entre a revolução do Neolítico e a Idade dos Metais. A mais antiga lei que regulamenta a produção e a venda de cerveja é a Estela de Hamurabi, que data de 1760 a.C. Nela, se condena à morte quem não respeita os critérios de produção de cerveja indicados. Incluía várias leis de comercialização, fabricação e consumo da cerveja, relacionando direitos e deveres dos clientes das tabernas. 9 O Código de Hamurabi também estabelecia uma ração diária de cerveja para o povo da Babilônia: 2 litros para os trabalhadores, 3 para os funcionários públicos e 5 para os administradores e o sumo sacerdote. O código também impunha punições severas para os taberneiros que tentassem enganar os seus clientes.10

A notícia mais antiga que se tem da cerveja vem de 2600 a 2350 a.C. Desta época, arqueólogos encontraram menção no Hino a Ninkasi, a deusa da cerveja, de que os sumérios já produziam a bebida. Já na Babilônia dá-se conta da existência de diferentes tipos de cerveja, originadas de diversas combinações de plantas e aromas, e o uso de diferentes quantidades de mel.
Posteriormente, no antigo Egito, a cerveja, segundo o escritor grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), teria sido inventada para ajudar a quem não tinha como pagar o vinho. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto deste povo pelo henket ou zythum, apreciado por todas as camadas sociais. Até um dos faraós, Ramsés III (1184-1153 a.C.), passou a ser conhecido como "faraó-cervejeiro" após doar, aos sacerdotes do Templo de Amon, 466 308 ânforas ou aproximadamente um milhão de litros de cerveja provenientes de suas cervejeiras.



Praticamente qualquer açúcar ou alimento que contenha amido pode, naturalmente, sofrer fermentação alcoólica. Assim, bebidas semelhantes à cerveja foram inventadas de forma independente em diversas sociedades em redor do mundo. Na Mesopotâmia, a mais antiga evidência referente à cerveja está numa tabua sumeriana com cerca de 6 000 anos de idade na qual se veem pessoas tomando uma bebida através de juncos de uma tigela comunitária. A cerveja também é mencionada na Epopeia de Gilgamesh. Um poema sumeriano de 3 900 anos homenageando a deusa dos cervejeiros, Ninkasi, contém a mais antiga receita que sobreviveu, descrevendo a produção de cerveja de cevada utilizando pão.

A cerveja teve alguma importância na vida dos primeiros romanos, mas, durante a República Romana, o vinho destronou a cerveja como a bebida alcoólica preferida, passando esta a ser considerada uma bebida própria de bárbaros. Tácito, em seus dias, escreveu depreciativamente acerca da cerveja preparada pelos povos germânicos.

Na Idade Média, vários mosteiros fabricavam cerveja, empregando diversas ervas para aromatizá-la, como mírica, rosmarinho, louro, sálvia, gengibre e o lúpulo, este utilizado até hoje e introduzido no processo de fabricação da cerveja entre os anos 700 e 800. O uso de lúpulo para dar o gosto amargo da cerveja e para preservá-la é atribuída aos monges do Mosteiro de San Gallo, na Suíça.Houve um tempo em que o papel da levedura na fermentação era desconhecido. Na época dos Vikings, cada família tinha sua própria vara de cerveja que eles usavam para agitar a bebida durante a produção. Estas varas de cerveja eram consideradas herança de família, porque era o uso da vara que garantia que a cerveja daria certo. Hoje em dia, sabe-se que estas varas continham uma cultura de levedura. A Lei da Pureza Alemã de cerveja de 1516 - a Reinheitsgebot - definia os únicos materiais permitidos para fabricação de cerveja como sendo malte, lúpulo e água. Com a descoberta do fermento e de sua função no final da década de 1860 por Louis Pasteur, a lei teve que ser alterada.

A maior parte das cervejas, até tempos relativamente recentes, eram do tipo que agora chamamos de ales. As lagers foram descobertas por acidente no século XVI, quando a cerveja era estocada em frias cavernas por longos períodos; desde então, elas ultrapassaram largamente as cervejas tipo ale em volume. O lúpulo é cultivado na França desde o século IX. O mais antigo escrito remanescente a registrar o uso do lúpulo na cerveja data de 1067 pela abadessa Hildegarda de Bingen: "Se alguém pretender fazer cerveja da aveia, deve prepará-la com lúpulo." No século XV, na Inglaterra, a fermentação sem lúpulo podia dar origem a uma bebida tipo ale - o uso do lúpulo torná-la-ia uma cerveja. A cerveja com lúpulo era importada para a Inglaterra (a partir dos Países Baixos) desde cerca de 1400, em Winchester. O lúpulo passou a ser cultivado na ilha a partir de 1428. A Companhia dos Fabricantes de Cerveja de Londres foi longe a ponto de especificar que "nenhum lúpulo, ervas, ou coisa semelhante será colocada dentro de nenhuma ale ou bebida alcoólica enquanto a ale estiver sendo feita - mas somente um licor (água), malte e uma levedura". Contudo, por volta do século XVI, "ale" veio a referir-se a qualquer cerveja forte, e todas as ales e cervejas continham lúpulo.
No idioma eslavo, a cerveja é chamada piwo (pronuncia-se "pivo"), do verbo pić (pronuncia-se "pítch"), "beber". Por isso, piwo pode ser traduzido como "bebida", o que demonstra a importância que lhe é concedida.

O Kalevala, poema épico finlandês coligido na forma escrita no século XIX mas baseado em tradições orais seculares, contém mais linhas sobre a origem da fabricação de cerveja do que sobre a origem do homem.

Em 2013, foi desenvolvido pela primeira vez sorvete e ovo de páscoa a partir de cerveja.